27/07/2010
Extremo sul do Tocantins vive a maior onda de incêndios florestais dos últimos anos
Por: Wesley Silas
No primeiro semestre deste ano foi registrado o pior índice desde 2005. Número que coloca o Tocantins no segundo lugar no País em número de queimadas, ficando somente atrás do Estado de Mato Grosso. As regiões onde mais concentram os incêndios ficam no Sul e Leste do Estado.

O primeiro semestre deste ano foi registrado o pior índice desde 2005 (Foto: Grupo Raizes da Terra)
No ano passado foram registrados 16 incêndios em florestas durante o ano na região e no mês de julho deste ano foram registrados seis focos de incêndio. A afirmação é do coordenador da Brigada Municipal de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais e Meio Ambiente, João Carlos Lopes, que também é presidente do Grupo Raiz da Terra.
De acordo com João Carlos o índice deste ano superou setembro de 1997, ano que teve o pior índice de incêndios em vegetação, com 25 focos/ano. No dia 12 de julho, o Grupo Raiz da Terra precisou mobilizar 30 pessoas, três tratores e quatro veículos e três motos para apoiar nos focos de incêndio em vegetação em 02 pontos do município, disse, o brigadista, que ressaltou ainda que as chamas destruíram cerca de 170 hectares, equivalente a 170 campos de futebol. Somente na Fazenda Malacacheta, 30 homens trabalharam para controlar a queimada. Os tanques pipas lançaram 10.000 litros d´água sobre os focos, para ajudar a conter o fogo, mas os incêndios ainda não chegaram a ser controlado, então um contra fogo foi utilizado e novos aceiros foram feitos, desta forma os incêndios chegaram ao fim, explicou.


Fotos: Combate a queimadas em Talismã (Grupo da Terra).
Um dos fatores que agrava as queimadas na região é o período longo de estiagem e, por conseqüência, existe ainda a massa de ar seco e quente que cobre a região, o que favorece o aumento da temperatura acima da média para a cidade. Conforme João Carlos, no período crítico dos incêndios, a temperatura máxima variou entre 32 graus 37 graus em Talismã. Estamos num momento climático muito atípico. A umidade do ar está abaixo de 20%, o que é uma condição inédita no Município. Apesar disso, a causa dos fogos não são criminais. Não há raios, nada disso. É apenas a ação humana. São pessoas desocupadas e ateiam fogo para culpar os fazendeiros de usarem o fogo como técnica de manejo do solo e o que até agora não foi verdade, pois em um dos focos nossa equipe estava no local quando houve a ocorrência, isto fez o pior mês da história para as florestas.", denuncia João Carlos.
Aumento no número de queimadas no Tocantins
Um levantamento do levantamento é do Instituto de Meteorologia da Fundação Universidade do Tocantins UFT publicado na semana passada aponta que no primeiro semestre deste ano foram registrados 1.756 focos de calor. Devido à atuação da massa de ar quente e seca, as temperaturas estão elevadas e os índices de umidade são baixos em alguns períodos do dia, explicou Roberta Araújo, meteorologista da Unitins.
Confirmando o levantamento da UFT, o Naturatins divulgou que no primeiro semestre deste ano foi registrado o pior índice desde 2005. Número este que coloca o Tocantins no segundo lugar no País em número de queimadas, ficando somente atrás do Estado de Mato Grosso. As regiões onde mais concentram os incêndios ficam no Sul e Leste do Estado. Noventa e cinco por cento das queimadas ocasionadas no Estado do Tocantins é culpa de ações humanas, ou seja, desses 95%, de 35% a 40% são pessoas que utilizam as rodovias. A outra maioria restante são os produtores rurais que insistem em usar o fogo como forma desordenada de queima, esclareceu Stalin Bucar Júnior, presidente do Naturatins, Instituto Natureza do Tocantins.
As principais preocupação dos órgãos ambientais estão nas áreas ambientalmente protegidas, como parques e reservas. Além das Brigadas de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais e Meio Ambiente, a Federação da Agricultura e Pecuária do Tocantins FAET, tem oferecido para os produtores rurais cursos para reduzir o número de queimadas. (da redação com informações do Grupo Raízes da Terra e site Agrolink Fotos Raízes da Terra).
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